domingo, 28 de junho de 2009

"Tremes perante o que não tens, mortal!
E aquilo que perdeste, em lágrimas, deplora!
Não sou de Deus a imagem! Sinto-o profundo.
Pareço mais um verme, e no pó vivo imundo;
Que do pó se alimenta, e nele sempre exulta,
Se o pé do itinerante poupa e não o sepulta"

-Fausto

quarta-feira, 10 de junho de 2009

E isso se chamava coração: um programa.

"1st Miracle was that you were born
2nd Miracle was that time we spent together
3rd Miracle is sincere heart from you in the past
4th Miracle I don't need 4th I don't need"


"Always you did those things for me, even though they were troublesome.
I've realized that I've only been selfish, and hurt you for so long...
You are the only one who would hear me, but you're no longer here..."


"My arms, both in red handcuffs. Surely its the color of someone's spilled blood.
Both of my ankles, in chains of blue. Surely, it's the color of someone's tears of sympathy"


"If we can be reborn , then play with me again at that time"

Kokoro, Regret, Re_birthday, Servant of evil

sábado, 23 de maio de 2009

Flor no Espelho, Lua na Água

Máscaras por vezes falham, mesmo que se possa confeccioná-las de maneira que pareçam perfeitas, alguns rostos parecem simplesmente ter ácido. Não só aquelas que mostram sentimentos artificiais, até o mais básico, e digo isso no sentido de ser primordial para todos os outros, dos simulacros eventualmente se mostra ineficiente, falho. Algumas pessoas aprendem que não se pode mascarar os olhos sem ficar cego. E quando aqueles que se apresentam mascarados desde o início resolvem tirar suas máscaras, causam estranhamento àqueles que aprenderam a amá-las. Sim, aquilo que sempre admiraram fora as máscaras. Nunca olharam para seus olhos por acharem que eram tal como a pele falsa em sua face. E então, removido o espelho, vêem que preferiam ao simulacro, e lutam para que seja colocado de volta. Só não param para pensar que a lua na água só brilhava tanto por estar em um escuro grande demais, e, uma vez perturbada a paz lúcida de sua superfície, e contemplada sua verdadeira natureza, sempre saberão que aquela terrível e profunda treva estará lá, não importa o quão brilhe o espectro alvo da lua. E não conseguirão, então, olhar para nada que não sejam seus olhos, e os temerão para sempre, e tremerão à mera memória. Mas, quem sabe... para alguém que não possa olhar para cima, aquela lua na água é a única que existe. Fato é que é melhor afogar-se tentando pegar o reflexo na água do que viver tentando alcançá-la do céu

A ilusão quebrou-se, Kyouka Suigetsu, mas ainda podes mascarar com perfeição,e suas máscaras serão sua maior força


domingo, 17 de maio de 2009

Maldição

Compreensão pode ser a pior das maldições.

Um dom raro: quantos são aqueles que podem, por um simples olhar, ou talvez então pela mera proximidade, conhecer o que uma pessoa sente? Ou quão raros são os que compreendem, através de poucas palavras, os motivos, emoções e ações de um amigo?
Ora, por tal descrição, a empatia não é mais que uma facilidade: quem compreende pode ser aceito. A maldição real é saber que, mesmo que possa entender a todos, por ninguém será compreendido.

Humanos podem ser muito diferentes uns dos outros, mas, tendo identificado-se mutuamente em algumas poucas coisas, sendo estabelecida uma pequena parcela de compreensão, não é preciso muito para que permaneçam juntos e relacionem-se na oh tão nobre amizade. E esses amigos reunem-se em pequenos grupos de acordo com a caracterísica em comum. Estão juntos e dão suporte uns aos outros. Até que ponto?

Enquanto puderem compreender-se, estarão unidos. Mas aqueles que nasceram com o dom da empatia não podem ser por eles compreendidos. Qual a relação que podem ter com outras pessoas, se a amizade, em teoria, não pode existir sem mútua compreensão? É exatamente essa a resposta: nenhuma. Por compreenderem, amam, e por compreenderem são... amados? Uma mentira. Não podem ser amados. Qualquer sentimento que possa existir por um desses desgraçados não passa de ilusão. Por vezes, esses mesmos condenados são tolos o suficiente para achar que podem ser compreendidos, só para então cair num abismo de egoísmo, onde afinal olharão para si próprios e verão o quão vazios realmente são. E por serem vazios podiam compreender, já que aquilo que sempre fizeram, na realidade, fora encher o buraco em seus peitos com os sentimentos alheios. Apenas não podiam até então notar que é impossível preencher o nada. E o nada os consome, e no nada, solitários devem ser tristes, como um geass que os afasta daqueles que insistem em amar. E por eles irão morrer. Por seu bem, serão humilhados. E ainda assim não verão um singelo olhar de gratidão verdadeira.

Onde luz e trevas consomem um ao outro, o cinzento nada reina supremo.
Não é o zero, afinal, simétrico e perfeito?


domingo, 3 de maio de 2009

Rosa Mística

Regozijem! Porque o demônio horrível da flor do inferno foi dominado pelas pétalas de amizade que a embelezavam! Ah, a maravilhosa vida! Dominada não mais por um Anima sangrento e mortal, mas por um demônio tão surpreendentemente dócil e gentil que faz com que a rosa se indague como não viu o poder que tinham suas pétalas, ou como também não pôde ver que o doce perfume que exalava vinha do próprio ser horrendo que a torturava. Não a culpemos, por favor. Afinal, até que o demônio fosse dominado, ela não conseguia sentir cheiro algum.

Evil flower,
Blooms dainty.
With vivid coloration,

As for pitiful weeds around
Oh became nutrient and (now) decaying off

Ah, mas o destino pode ser muito, muito cruel. Já que, para que fosse derrotado o demônio, duas das pétalas tornaram-se heroínas por assim dizer, tal feito teria sido impossível não fosse por elas. A verde mão do destino, porém, causando acidente, raiva e imcompreensão, fez com que essas duas pétalas de maior beleza existentes se separassem, e pouco sabem elas o quanto isso enfraqueceu a rosa, que tentou incansavelmente juntá-las, para que recobrada fosse sua tão recente obtida força. Mas a rosa não pôde. E tarde demais percebeu que, se não houvesse lutado, ambas as pétalas haveriam retornado para perto uma da outra, fazendo assim com que se tornasse ainda mais forte do que fora outrora. Tarde demais percebeu que a verde mão do destino era seu próprio talo.

Evil flower,
Blooms dainty
In maniacal coloration.
Although it is a very beautiful flower
Oh there's too much thorn it can't be touched.


Também foi tarde demais que a rosa viu que, por sua luta, fez com que as duas pétalas que tanto lhe davam força caíssem. Surpreendeu-se porém porque, com elas, como que surgida do nada, caíra também uma esfera de vidro, e seus estilhaços a machucaram muito, a ponto de quase fazê-la cair. Seus estilhaços também cortaram as algemas do Anima que houvera sido contido, e, agora, sem as pétalas valorosas para contê-lo, nada o prenderia de novo. Mas regozijem! O que as pétalas houveram feito não fora em vão, e agora o demônio é gentil, e irá proteger a rosa usando os mesmos estilhaços que a houveram machucado tanto, e com eles fará à sua volta uma redoma, para que nenhuma outra pétala ou qualquer coisa possa machucá-la de novo, e ah! Ele teve o cuidado de também manter as duas pétalas bem próximas dela, para que possam lhe dar força, mesmo que tão reduzida a ponto de não parecer nada.

Evil flower,
Blooms dainty
In doleful coloration.
Paradise (made) for her,
Oh, collapsing brittle but fleetingly.


E nessa redoma, a rosa continuará a viver, ainda dominada pelo Anima que antes a destruía, porém que agora cuida dela para que nenhuma outra pétala possa cair, evitando que ela destrua a si própria enquanto tenta se concertar. Esse demônio é, afinal, o amor, e mesmo que ainda seja terrível e destruidor por natureza, seu único olho sangrento agora demonstra gentileza, e guardará as pétalas junto a si, para que elas não apodreçam antes que a própria rosa morra, mas mantendo a distância que elas tiveram de criar graças ao monstruoso destino, que, no fim, nada mais era do que a própria rosa, e não é mais o demônio o grande destruidor, mas ela mesma.

Evil flower,
Scatters dainty
In vivid coloration.
The people of latter-day talk (of her) as such,
Oh she was truly the daughter of evil.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Egocentrismo

Minhas veias dilatadas expressam meu próprio espírito inquieto, ansioso, que não encontra paz mesmo quando o universo implica nela. Meu espírito que sente raiva, mas que não tem motivo para tanto. Minhas veias dilatadas não sei por quê. Talvez estejam com excesso de sangue, talvez esteja com a pressão baixa. Quem sabe não estou simplesmente com calor? Meus olhos lacrimejam, e mostram minha alma solitária, que não se identifica com a de ninguém, mas ao mesmo tempo aprecia a de todos. Meus olhos, que em solitário e inexpressivo pranto despejam lágrimas que não existem, são janelas para um espírito sedento por carinho, por afeto, assim como são para um espírito que não consegue conversar com outro, que se isola e pensa, que cria representações de si mesmo em sua solidão. Por vezes intencional, por vezes imposta.

Meu corpo de veias dilatadas comporta um espírito carente, assim como a um espírito solitário e indagador. E, como se não fosse suficiente portar personalidades que, juntas, levam à sua auto-destruição, que juntas, como parasitas, levam à perdição de seu hospedeiro, e que mesmo assim se completam sem intenção, também insiste numa outra, talvez a mais recém-criada delas, que vê o lado engraçado das situações mais constrangedoras, que associa situações e cria humor, e demonstra um estado de espírito em absoluto contraste àquele que predomina nos momentos de solidão.

Porventura não tenho tripla personalidade? Quem sabe meu lado feliz não passa de uma máscara, usada para que possa andar em público sem chamar atenção à minha própria melancolia natural, e, assim, talvez, por esse mesmo público, ser aceito? Sou o que sou, e sou solitário, e por nada me identifico, mas por tudo tenho admiração. Preciso de atenção, e minhas veias se dilatam, meus olhos lacrimejam lágrimas invisíveis.

Talvez esteja simplesmente com calor

terça-feira, 21 de abril de 2009

Medo

Imagine-se numa noite quente. Todas as pessoas na sua casa já foram dormir, o escuro total o envolve, exceto pela luz do monitor do computador que você insiste em usar, graças a diálogos no messenger. Eis que um amigo seu lhe pede, exatamente no momento em que você decide ir dormir, para ver um vídeo. Você não hesita, e clica no link, para então ver uma coisa que lhe parece estranhamente familiar, mesmo que tenha certeza de nunca ter visto: Obedece a la morsa. Você se assusta a princípio, mas insiste em ver, insistindo na sua coragem. Aos poucos, você não tem mais medo da criatura deformada em roupas exóticas que insiste em dançar mesmo com suas limitações físicas, você chega a sentir pena, compaixão. O plano muda, e, mais tarde do que deveria, você percebe que ela se aproxima em passos cambaleantes da câmera, seu coração se alarma, uma corrente de adrenalina passando por seu corpo, você vê aquilo se aproximando, você insiste em ver, diz a si mesmo que é só um ser humano, você olha pro rosto daquela pessoa, e vê um olhar quase maligno, você olha para seus braços e pernas deformados, acompanha o cambalear, a câmera se aproxima do ser ao mesmo tempo em que ele se aproxima dela, a música que perdurara o vídeo inteiro cessa, e só o que você ouve é o som dos passos, você entra em desespero, aquela criatura não está se aproximando da câmera, está se aproximando de você! Sua parte racional insiste que não é verdade, mas você não consegue deixar de sentir isso, e você, assustado, fecha a janela, mesmo que faltem apenas 15 segundos para que o vídeo termine.

O medo, tal como a dor, é impossível de controlar, ele não depende de você, depende do exterior, e você não pode fazer com que o exterior mude, ele quer que você tenha medo, você vai ter medo, não há escolha.
O medo, tal como a surpresa, pode ter várias formas, mas que se resumem todas a uma mesma sensação. E como a surpresa, o medo se dá pura e simplesmente com uma quebra da rotina, um hábito quebrado, algo que está fora do lugar.

Esse medo, que pode ir desde o inocente terror que os cães têm em relação a um simples e benéfico banho, ao medo da morte. Talvez não a sua própria, quem sabe não é a de um amado? E tal como a dor, o medo revela o verdadeiro ser humano, apenas frente ao horror um pode demonstrar suas verdadeiras virtudes. Frente ao medo verdadeiro, todas as máscaras caem, ele é a verdadeira representação da natureza humana.

Há aqueles que podem controlá-lo, e, se o medo é a representação do homem, então aquele que o controla também pode controlar a humanidade. Quem ousará desafiar alguém que o aterroriza? Quem poderá contrariar alguém que lhe causa uma sensação desagradável de impotência, que lhe faz sentir que, se não obedecê-lo, ele poderá lhe fazer mal ou àqueles que lhe são queridos?

Os corajosos.

O medo, diferente da surpresa, não é caracterizado por apenas um momento, onde você leva um susto, e também é diferente da dor, indestrutível, destruidora, mortal.

O medo é uma proteção, uma maneira de preservar a si e aos outros, uma maneira de fazer com que aquilo que você preza seja mantido. Mas, se para proteger aquilo que você preza, o medo precisa ser derrotado, se para que você e aqueles que lhe são queridos possam ser felizes, para que estejam bem, o escuro precisa ser enfrentado, o governante amedrontador precisa ser contrariado, e aquele monstro que você chama orgulho precisa ser derrotado, para que a crueldade e o sangue frio deixem de existir, você precisa sacrificar a si próprio de alguma maneira, então o medo toma outra forma, a que chamamos coragem. Ah, mas não se iluda, ela ainda é o medo, mas agora ele se transformou, e tal como uma uma treva que se torna luz, ele muda sua natureza, mas nunca perde sua verdadeira essência. E então você vê que aqueles que usam o medo são os mais fracos dos homens. Aqueles que vêem nele uma maneira de controlar ao próximo só o fazem por não verem em si próprios uma maneira de fazê-lo de outra forma. Essas pessoas sucumbiram ao medo, e não podem transformá-lo em coragem. E se tornam covardes. Covardes, não por terem medo, mas por serem incapazes de ver através dele, e o medo os domina, e o medo os destrói.

Há também aqueles que usam o medo por prazer, que vêem no horror alheio sua fonte de felicidade. Muitos os chamam de loucos, eu os admiro, e os chamo fascinantes.
Tenho medo do medo, e vejo em sua derrota um grande prazer. E derrotá-lo é, muito, muito simples. Não é necessário nada mais do que ententendê-lo. E quando o fizer, ele já terá tornado-se um calor que lhe dará força, que quebrará barreiras, que fará com que o nada exista, e o impossível se desmantele.